Alguns estudiosos da psicanálise e da neurociência defendem a tese de que um bom acolhimento quando criança refletirá em sujeitos adultos mais benevolentes e empáticos. Biaggi (2017) psicanalista e Monja Zen Budista revela que essa ação, a de acolher com carinho promove um processo maturacional e produz a capacidade de se preocupar, de se importar ou se envolver e se responsabilizar pelas próprias ações.

Quando o ambiente falha no atendimento das primeiras necessidades maturacionais do bebê, podem surgir perturbações na capacidade de dar sentido existencial de forma criativa e espontânea, resultando na impotência diante das relações interpessoais e nas doenças relacionais. “O atendimento das necessidades nas fases iniciais assegura uma série de conquistas como o altruísmo. As falhas do ambiente nessas fases levam o bebê à perda da capacidade de existir no mundo e de ser algum que enxerga algum. Se ele não for concernido no seio materno não irá desenvolver o sentimento de existir”. Ela ainda cita Winnicott: ‘Quando olho e sou visto, logo existo’. É preciso do ambiente facilitador para desenvolver a compaixão.’

Entenda-se aqui, compaixão como sendo o sentimento de ser e de se tornar útil. Práticas contemplativas como um bom bate papo, o diálogo, as conversas de bar, a meditação, exercícios físicos, a aplicação de jogos em família... tudo isso auxilia, conforme defende a neurociência, com que o sujeito estabeleça os vínculos positivos com seus semelhantes. E se isso não acontece em casa, é preciso que as relações no trabalho e principalmente, na escola sofram mudanças.

O amor incondicional que advém da compaixão pode ser ensinado na escola, sem o piegas da flagelação pela dor e da piedade, porque a “compaixão e o altruísmo são respostas pluridimensionais e incluem a bondade, a empatia, a generosidade e a aceitação.”

As escolas podem desenvolver a compaixão por meio da literatura, das artes, no currículo das matérias comuns, matemática, ciências e, pela própria pedagogia incluindo todos os alunos e ajudando-os a entender os obstáculos desiguais que alguns deles enfrentam, seja por questões econômicas ou incapacidades físicas ou psicológicas. Nas escolas públicas, os valores centrais da sociedade, expressos nas leis e na constituição devem ser focados conforme bem menciona Nussbaum (2001). A participação faz com que as pessoas percebam o mundo a sua volta e permite que se vejam como parte de algo maior que o universo íntimo de cada um.

Nós, do Estúdio Par ou Ímpar, recomendamos o Jogo Segue como ferramenta de contemplação. Ele permite aos jogadores o diálogo e a elaboração de soluções para os problemas cotidianos que afetam todos. A escuta, a fala e a percepção do outro, são sentidos muito importantes para a construção do altruísmo, que pode ser considerado um passo à frente da compaixão, de acordo com Nussbaum (Op.cit). Essas sensações poderão ser encontradas no Jogo Segue. Experimente-o!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FERREIRA, Bernardo. A fortuna e os limites do humano. In Revista Brasileira de Ciências Sociais, vol.27, nº 78, São Paulo, Fev. 2012.

 https://mkmassoterapia.com.br/blog/saude/compaixo-quando-o-amor-incondicional-pode-mudar-as-vidas-de-todos/ acesso em jan.2018.

NUSSBAUM, Martha. The fragility of goodness: luck and ethics in greek tragedy and philosophy. Cambridge: Cambridge University Press, 2001. 

 

Nos Estados Unidos é comum pais alfabetizarem seus filhos em casa. Nos primeiros dias deste ano, a polícia norte-americana recebeu a denúncia de um casal que mantinha em cárcere 13 filhos, todos acorrentados. No diretório escolar do Estado da Califórnia, a casa em que vivem, encontra-se registrada como colégio particular.

O aumento da preocupação com a violência nas escolas norte-americanas, desde 1999 após o massacre de Columbine, no Colorado, tem oportunizado a criação de programas em que, especialistas são treinados para detectarem alunos e professores com potencial violento. Esses grupos, denominados Equipe de Avaliação de Ameaças em Escolas (START), avaliam os riscos de possível violência em escolas e ajudam em casos emergenciais.

Cabe ao START avaliar se há um risco real - e identificar problemas emocionais que possam culminar em atos de violência - ou se o estudante ou o professor, está simplesmente enfrentando problemas, como bullying e tentando chamar a atenção.

Cria-se um calendário de visitas às escolas e aos lares, além de roteiros de conversas com as famílias, para compreender o histórico em que vivem os possíveis agressores.

Um dos trunfos do programa é o fato de compartilhar informações entre policiais, equipes de saúde e escolas. As instituições de ensino recebem treinamento anual do START para identificar ameaças e avaliar riscos.

No Brasil, as questões que envolvem o bullying e a violência dentro das escolas ainda dependem dos esforços da equipe escolar, professores, diretores, auxiliares e etc. A promulgação da Lei 13.185 (BRASIL. 2015), como tentativa de inibir esse tipo de criminalidade, tem, quando muito, obrigado as instituições de ensino e clubes a adotarem medidas de prevenção ao bullying.

O interessante é que o art. 6º desta mesma lei (Op.cit.), há menção de que “serão produzidos e publicados relatórios bimestrais das ocorrências de intimidação sistemática (bullying) nos Estados e Municípios para planejamento das ações”.

Pergunta-se: Onde e quando têm sido publicados esses dados? Que ações têm sido planejadas? Quem participa do processo de planejamento? E, de onde vem os recursos para aplicação desta Lei.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. LeiI nº 13.185, de 6 de novembro. Brasília: Diário Oficial da União, 2015.

https://canalcienciascriminais.jusbrasil.com.br/artigos/332954518/o-massacre-de-columbine, acesso em jan. 2018.

https://veja.abril.com.br/especiais/o-mapa-da-violencia-armada-nos-eua/acesso em jan.2018.